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Lipedema: o que é, como identificar e quais caminhos de cuidado existem

23 de out.
9 min de leitura

Entenda o que é lipedema, como diferenciá-lo da obesidade e do linfedema e quais caminhos de cuidado existem, com base em evidências científicas.


Muitas mulheres convivem por anos com acúmulo de gordura nas pernas, no quadril ou nos braços sem receber o diagnóstico correto. Com frequência, o lipedema é confundido com obesidade, e isso atrasa o cuidado adequado.


O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, ou seja, da gordura subcutânea. Segundo o material de referência deste conteúdo, ele afeta cerca de 11% das mulheres.


Você sente dor ou sensação de peso nas pernas mesmo com dieta e exercícios? Se sim, este conteúdo foi escrito para você. Ao longo do texto, você vai entender o que é a doença, como ela se diferencia de outras condições e quais caminhos de cuidado existem.


O que é lipedema?

O lipedema é uma doença crônica em que a gordura subcutânea se acumula de forma anormal, principalmente nas pernas.


Uma característica importante: a gordura do lipedema responde de forma diferente a intervenções apenas de estilo de vida. Por isso, ela não costuma diminuir tão facilmente com dieta e exercício como a gordura comum.


Destaque: lipedema não é preguiça nem falta de força de vontade.


Pesquisas recentes analisaram o tecido adiposo de pessoas com lipedema e encontraram diferenças em marcadores metabólicos e inflamatórios em relação ao tecido de pessoas sem a doença (Nankam et al., 2022). Essas diferenças ajudam a explicar por que a condição exige um olhar específico.


Lipedema x linfedema x obesidade

Essas três condições podem se parecer, mas têm características diferentes:


Lipedema: predomina o acúmulo de gordura, mais do que de líquido. Costuma atingir as pernas e pode também atingir os braços. É frequentemente confundido com obesidade.

Linfedema: predomina o acúmulo de líquido. Tende a evoluir de forma progressiva. A evolução do lipedema, por outro lado, é descrita como diferente e não linear.

Obesidade: acúmulo de gordura generalizado, relacionado ao índice de massa corporal (IMC).


Quiz rápido: se o aumento de volume aparece principalmente nas pernas, poupando os pés, e vem acompanhado de sensibilidade ao toque, qual condição é mais provável de exigir avaliação especializada?


a) Obesidade generalizada

b) Lipedema

c) Ambas são iguais

Resposta: b) Lipedema. Esse padrão de distribuição é uma das pistas que levam à avaliação de um especialista. O diagnóstico, porém, sempre depende de avaliação médica.


Quais são os sinais mais comuns


Marque o que você percebe:


Aumento de volume nas pernas desproporcional ao tronco

Sensibilidade ou dor ao toque

Facilidade para ficar com hematomas

Sensação de peso e cansaço nas pernas

Os pés costumam ficar sem o acúmulo de gordura

Esses sinais, sozinhos, não fecham diagnóstico. Se você se identificou com vários deles, procure um médico especialista.


Impacto na saúde física e mental

O lipedema vai além do aspecto físico:


Dor e desconforto podem limitar atividades do dia a dia.

Sintomas depressivos e baixa autoestima são comuns. Por isso, o cuidado psicológico faz parte do tratamento.

Estigma: muitas mulheres relatam se sentir estigmatizadas por profissionais de saúde. Um estudo mostrou que mulheres entre 20 e 30 anos tiveram mais dificuldade para receber o diagnóstico (Christoffersen et al., 2023).


Apoio social: grupos de apoio e a sensação de não estar sozinha são recursos importantes para lidar com a doença.

Como é feito o tratamento

O tratamento é multidisciplinar, e as etapas se complementam:


Mudança de estilo de vida: sono de qualidade, momentos de lazer, controle do estresse, alimentação anti-inflamatória e exercício físico.

Suporte psicológico.

Cuidado com o intestino.

Desinflamação.

Antioxidação.

Otimização dos níveis de vitaminas, sempre com base em exames.

Tratamento hormonal, indicado individualmente, após avaliação médica.

Medicamentos específicos, prescritos pelo médico para circulação e controle de peso. Use somente com orientação médica.

Terapia descongestiva: drenagem linfática, bandagens e vestuário de compressão, conforme orientação do profissional.

Lipoaspiração tumescente: considerada uma das opções mais efetivas. Segundo o material, sem acompanhamento clínico e nutricional, o resultado tende a ser temporário.

Destaque: os estudos mostram que a combinação de medidas costuma trazer melhores resultados do que uma medida isolada (Braña et al., 2023).


Combinações de tratamento citadas: dieta, exercício, terapia compressiva, fisioterapia, radiofrequência, mesoterapia e cirurgia (lipoaspiração tumescente).


Tipos de exercício físico no lipedema

O movimento é uma das bases do cuidado. Ele não elimina o lipedema, mas ajuda a reduzir a sensação de peso, a manter a mobilidade e a melhorar a qualidade de vida. Os tipos mais indicados são:


Exercícios aeróbicos de baixo impacto: caminhada, bicicleta, natação e hidroginástica. São o ponto de partida mais bem tolerado. A água, em especial, diminui a sensação de peso e o desconforto nas articulações.

Treino de força: ajuda a fortalecer os músculos e a melhorar a funcionalidade do corpo. Deve começar leve e aumentar aos poucos, evitando sobrecarga na região dolorida.

Mobilidade, flexibilidade e pilates: melhoram a amplitude de movimento e são boas opções quando há dor.

Treinos intervalados (HIIT): podem ser usados por quem tem boa tolerância ao esforço, mas exigem cautela por causa da dor e da carga nas articulações.

Cuidados práticos:


Evite passar muito tempo em pé ou sentada.

Use a compressão quando ela for indicada pelo profissional.

Fique atenta ao aumento de dor ou de hematomas depois dos treinos e converse com seu especialista se isso acontecer.

Importante: o exercício tem benefício consistente como medida de apoio, mas as evidências de que ele reduz diretamente a gordura do lipedema ainda são limitadas.


Pergunta para você: qual atividade física você mais gosta? Pense nela como ponto de partida, e não como uma meta difícil.


Cuidados com o intestino

A saúde intestinal é estudada como parte do cuidado do lipedema, porque a inflamação de baixo grau faz parte do quadro. Veja o que existe nesse campo:


Glutamina

É um aminoácido que participa da proteção da barreira intestinal.

Tem mais evidência em situações de grande estresse para o organismo, como cirurgias e quadros de desgaste intenso. Seu uso rotineiro no lipedema não tem base clínica consistente.

Não deve ser usada sem orientação em quem tem problemas de rins ou de fígado.

Probióticos


São microrganismos vivos que, em quantidades adequadas, podem trazer benefício à saúde.

Há evidência para cepas específicas em situações específicas, como diarreia associada a antibióticos. Não existe um probiótico que sirva para todo mundo.

Podem apresentar riscos em pessoas com imunidade muito baixa ou em quadros graves, e por isso exigem avaliação.

Pós-bióticos


São preparações não vivas, formadas por microrganismos inativados ou por substâncias produzidas por eles, como os ácidos graxos de cadeia curta.

Têm a vantagem de maior estabilidade e menor risco em pessoas com imunidade baixa. A evidência clínica ainda é mais limitada que a dos probióticos.

Orientação prática: a base do cuidado intestinal é a alimentação, com fibras, frutas, legumes, verduras e alimentos fermentados naturais, como iogurte natural e kefir. Probióticos e pós-bióticos devem ser indicados caso a caso, por um profissional.


Desinflamação: alimentos e substâncias estudadas

A inflamação de baixo grau é um dos pontos estudados no lipedema. A alimentação é a principal forma de apoio nesse campo. Algumas substâncias muito citadas merecem atenção:


Ômega-3 (EPA e DHA)

São gorduras presentes em peixes como sardinha, salmão e atum, e em alimentos como chia, linhaça e nozes.

Estudos mostram redução de marcadores inflamatórios em alguns contextos, mas o efeito costuma ser modesto.

Quem usa anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários deve conversar com o médico antes de aumentar o consumo ou tomar suplementos.

Quercetina

É um flavonoide encontrado em cebola, maçã, frutas vermelhas e outros vegetais.

Tem ação antioxidante e anti-inflamatória em estudos de laboratório. Em humanos, a absorção é baixa, e não há evidência clínica consistente no lipedema.

Pode interagir com alguns medicamentos. Por isso, a versão em cápsula só deve ser considerada com orientação profissional.

Cúrcuma (açafrão-da-terra)

O que é: a cúrcuma, também chamada de açafrão-da-terra, é uma raiz amarela usada na culinária, principalmente na culinária indiana. Seu principal composto ativo é a curcumina, que é o que os estudos analisam.


O que os estudos mostram: a curcumina atua em vias ligadas à inflamação, como a NF-κB, mas esses efeitos são observados principalmente em laboratório e em alguns estudos clínicos pequenos.


Por que a absorção é um desafio: o corpo absorve pouca curcumina quando ela é consumida sozinha. Algumas formulações tentam melhorar isso, mas o efeito clínico ainda varia bastante.


Atenção: em excesso, pode aumentar o risco de sangramento em quem usa anticoagulantes, agravar cálculos na vesícula e atrapalhar a absorção de ferro. Use a cúrcuma como tempero no dia a dia e discuta com o médico antes de usar suplementos.


Metformina

É um medicamento de prescrição, e não um fitoterápico ou suplemento. É usada principalmente para resistência à insulina e diabetes tipo 2.

Alguns estudos sugerem efeito anti-inflamatório indireto, mas não há evidência robusta de que ela reduza a gordura localizada do lipedema.

Seu uso se justifica pela condição metabólica associada, e não pelo lipedema em si. Só deve ser usada com prescrição e acompanhamento médico, que avaliam contraindicações como problemas renais.

Resveratrol

É um polifenol encontrado em uvas, vinho tinto, amendoim e frutas vermelhas.

Os estudos são feitos principalmente em laboratório e em animais. Em humanos, a absorção é baixa, e os resultados são inconsistentes.

O efeito sobre o lipedema não está estabelecido. Por isso, não é indicado como tratamento da doença.

Regra de ouro: nenhuma dessas substâncias substitui o tratamento médico. Se você pensa em usar qualquer uma delas, leve a dúvida ao seu especialista.


Antioxidação

O estresse oxidativo, que é o desequilíbrio entre substâncias oxidantes e as defesas do corpo, faz parte do processo inflamatório descrito no tecido adiposo. Por isso, a antioxidação aparece como um dos pilares do tratamento proposto no material de referência.


Como o corpo se defende: o organismo tem um sistema natural de defesa antioxidante, e a alimentação ajuda a sustentá-lo. Os principais nutrientes envolvidos são:


Polifenóis: presentes em frutas vermelhas, cacau, chá verde e vegetais coloridos.

Vitamina C: em frutas cítricas, acerola, morango, kiwi e vegetais verdes.

Vitamina E: em castanhas, sementes e azeite de oliva.

Selênio e zinco: em castanha-do-pará, ovos, carnes e grãos integrais.

Dica prática: prefira comer alimentos variados e coloridos ao longo do dia. Eles são a forma mais segura de obter antioxidantes.


Atenção: doses altas de antioxidantes em suplementos, principalmente vitaminas C e E isoladas, podem atrapalhar algumas adaptações do corpo ao treino. Por isso, a estratégia deve priorizar alimentos e ser individualizada.


Alimentação e lipedema: o que pode ajudar

A alimentação é um dos pilares do cuidado, mas não funciona sozinha e não substitui a avaliação individual. Veja os princípios gerais:


Dieta anti-inflamatória: priorize alimentos de origem vegetal, como frutas, legumes, verduras da estação, grãos integrais, leguminosas e nozes.

Dieta mediterrânea (Di Renzo et al., 2021): use azeite de oliva no lugar da manteiga, ervas e temperos no lugar do excesso de sal, e prefira gorduras poliinsaturadas.

Fontes de ômega-3: peixes como sardinha, salmão e atum, além de chia, linhaça e nozes.

Alimentos com polifenóis: cúrcuma (açafrão-da-terra), frutas vermelhas, cebola e maçã.

Vitaminas: vitamina D (exposição solar com orientação, peixes e ovos) e vitamina B12 (carnes, ovos e laticínios). A necessidade de suplementação deve ser avaliada por exame e por um médico.


Evite ou reduza:

Alimentos ultraprocessados

Frios e carnes curadas

Enlatados

Refeições prontas congeladas

Carboidratos de alto índice glicêmico

Bebidas adoçadas


Atenção: a dieta cetogênica muito restritiva tem estudos, mas as evidências sobre eficácia e segurança no lipedema ainda são limitadas. Nunca inicie esse tipo de dieta sem acompanhamento médico.


Destaque: dieta não se faz por conta própria em um tema tão individual. Converse com seu nutrólogo.


Pergunta para você: já percebeu se algum alimento piora seus sintomas? Anote e leve essa informação para a consulta.


Atividade física e cuidados do dia a dia

Além dos exercícios estruturados, pequenos hábitos fazem diferença:


Movimente-se com frequência ao longo do dia.

Evite ficar muito tempo parado.

Cuide da qualidade do sono.

Pratique formas de controle do estresse, como respiração, meditação ou yoga.

Um programa com dieta mediterrânea foi associado à melhora na capacidade de realizar atividades diárias (Di Renzo et al., 2021).


Mitos e verdades:


Mito: "Basta emagrecer para o lipedema sumir." Verdade: o lipedema não desaparece apenas com perda de peso. O tratamento é multidisciplinar.


Mito: "Lipedema é só obesidade." Verdade: são condições diferentes, e a confusão entre elas é comum.


Mito: "Lipoaspiração resolve de vez." Verdade: sem acompanhamento clínico e nutricional, o resultado tende a ser temporário.


Mito: "Basta tomar suplementos." Verdade: suplementos não substituem a avaliação médica individualizada. Nenhum deles deve ser iniciado por conta própria.


Perguntas frequentes:


O lipedema tem cura? É uma doença crônica. O foco do cuidado é controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida, com acompanhamento contínuo.


Quem tem mais risco? Segundo o material de referência, a doença afeta cerca de 11% das mulheres.


Como saber se tenho lipedema? Procure um médico com experiência no tema, como nutrólogo, angiologista ou cirurgião vascular, para uma avaliação.


A dieta sozinha resolve? A alimentação é um dos pilares do cuidado, mas funciona em conjunto com outras medidas.


Posso tomar suplementos para inflamação ou para o intestino? Só com orientação de um profissional. Alguns podem interagir com medicamentos ou não ser indicados para o seu caso.


Preciso de apoio emocional? Sim. O cuidado psicológico faz parte do tratamento, e grupos de apoio podem ajudar.


Conclusão

O lipedema é uma doença crônica do tecido adiposo, com sinais específicos e diferentes da obesidade. Pontos principais para lembrar:


O lipedema não é falta de força de vontade.

O diagnóstico exige avaliação de um especialista.

O tratamento é multidisciplinar e funciona melhor com a combinação de medidas.

Alimentação, exercício, cuidado intestinal, cuidado emocional e acompanhamento médico caminham juntos.

Próximo passo: agende uma avaliação com um especialista.


Compartilhe este conteúdo com alguém que pode precisar dele.


Dra. Bruna Ribeiro - CRMRS 47796


Referências:

Soriano, E. A. Lipedema: abordagem nutrológica (2024). Material de base deste conteúdo.

Clarke et al. Quality of Life Research (2023)

Duhon et al. International Journal of Molecular Sciences (2022)

Nankam et al. Frontiers in Endocrinology (2022)

Christoffersen et al. International Journal of Environmental Research and Public Health (2023)

Di Renzo et al. Nutrients (2021)

Verde et al. Current Obesity Reports (2023)

Braña et al. International Journal of Environmental Research and Public Health (2023)

Kalupahana et al. Annual Review of Nutrition (2020)

Achamrah et al. Current Opinion in Clinical Nutrition and Metabolic Care (2017)

Aviso: este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. Não inicie suplementos, dietas restritivas ou medicamentos por conta própria.

 
 
 

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