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O gene FTO e a dificuldade de emagrecer: por que isso não define o seu destino

22 de out.
4 min de leitura

Você já se perguntou por que algumas pessoas parecem ganhar peso com facilidade, mesmo comendo "da forma certa"? Muitas vezes a resposta envolve a genética. Mas isso não quer dizer que o corpo está decidido e que nada pode mudar. Vamos entender juntos.



O que é o gene FTO?

O gene FTO é um dos genes mais estudados quando o assunto é peso corporal. Ele está presente em todas as pessoas, e a sua função principal está relacionada ao metabolismo de algumas moléculas no organismo. Pesquisas identificaram que algumas variações (chamadas de variantes) desse gene se associam a um índice de massa corporal (IMC) um pouco mais alto.


Uma variante específica, conhecida pelo código rs9939609, é a mais estudada. Cada pessoa herda duas cópias de cada gene, uma do pai e outra da mãe. Quem tem a versão de risco em uma ou duas cópias tende, em média, a ter um peso um pouco maior do que quem não tem.


Esse ponto é importante: estamos falando de uma tendência média em grandes grupos de pessoas, e não de uma sentença individual. A diferença costuma ser pequena quando comparamos indivíduos, e o peso depende de muitos outros fatores.


Como o FTO pode influenciar o apetite e o metabolismo

Os estudos sugerem que o efeito do FTO aparece principalmente no apetite e na forma como o cérebro responde à comida. Algumas evidências indicam que pessoas com a variante de risco:


Sentem fome com mais frequência ou com mais intensidade

Têm mais dificuldade de sentir saciedade depois das refeições

Tendem a preferir alimentos mais calóricos, como doces, frituras e preparações gordurosas

Podem reagir mais intensamente a estímulos visuais e cheiros de comida

Já em relação ao metabolismo, o impacto parece ser menor e ainda está sendo estudado. Ou seja, a principal influência parece estar no comportamento alimentar e na sensação de fome, e não em um "metabolismo lento" de forma isolada.


Vale lembrar que a genética carrega uma tendência, mas não determina o resultado. O ambiente, a rotina e as escolhas diárias continuam tendo um peso muito grande.


Por que isso não significa que você está condenado

Ter a variante de risco não significa que você nunca vai emagrecer. Existem três motivos principais para isso:


A genética influencia, mas não decide sozinha. O peso é resultado de muitos genes interagindo com o estilo de vida.

A atividade física atenua esse efeito. Estudos mostram que pessoas com essa predisposição que se movimentam com regularidade apresentam, em média, um IMC mais próximo ao de quem não tem a variante.

Hábitos bem estruturados mudam o cenário. Com estratégias adequadas, é possível ajustar a fome, a saciedade e a composição corporal ao longo do tempo.

Em outras palavras, o gene pode fazer o caminho ser mais exigente, mas não impede a chegada.


Estratégias práticas e realistas

Quem tem predisposição genética se beneficia de um plano que leve em conta a fome aumentada e a preferência por alimentos calóricos. Algumas medidas ajudam bastante:


1. Alimentação que dá saciedade

Monte o prato com lógica: metade de legumes e verduras, um quarto de proteína e um quarto de carboidrato de boa qualidade.

Priorize a proteína em todas as refeições: ela aumenta a saciedade e ajuda a preservar a massa muscular.

Escolha fibras: frutas, legumes, leguminosas, aveia e sementes deixam a digestão mais lenta e a fome mais controlada.

Reduza o ambiente tentador: deixar biscoitos e doces fora de alcance faz diferença real para quem sente mais fome.


2. Atividade física como aliada

Combine musculação, que preserva e constrói massa magra, com atividades aeróbicas que você goste de fazer.

O ideal é começar com o que é possível na sua rotina e aumentar aos poucos.

Caminhadas diárias já contam e são muito eficazes para quem está começando.


3. Sono de qualidade

Dormir mal aumenta a fome e a vontade de comer alimentos calóricos no dia seguinte. Tente manter horários regulares, desligar telas antes de dormir e criar um ambiente escuro e silencioso.


4. Manejo do estresse

O cortisol elevado, hormônio liberado em períodos de estresse, pode estimular a fome e a busca por doces. Práticas como respiração guiada, meditação, yoga, caminhadas ao ar livre e pausas durante o dia ajudam a regular esse ciclo.


5. Consistência acima da perfeição

Pessoas com predisposição genética costumam ter mais sucesso quando focam em hábitos pequenos e repetidos do que em dietas radicais. Um dia fora da rotina não desfaz o progresso. O que importa é o padrão ao longo das semanas e dos meses.


Conclusão

O gene FTO pode tornar a fome mais intensa e o emagrecimento mais desafiador para algumas pessoas. Mas ele é apenas um dos muitos fatores que influenciam o peso, e a sua história não termina nele.


Com alimentação adequada, movimento, sono, controle do estresse e consistência, a grande maioria das pessoas consegue melhorar sua saúde e sua composição corporal. O segredo é entender o próprio corpo e ajustar a estratégia de acordo com ele, sem culpa e sem comparações.


Quer saber se essa predisposição faz parte da sua história e receber um plano personalizado?


No Método BR eu posso ajudar com a avaliação genética, que indica se existe essa tendência, e com um acompanhamento que transforma essas informações em orientações práticas para a sua rotina.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou nutricional individualizada. O teste genético é uma ferramenta de apoio e deve ser interpretado por um profissional de saúde.


Dra. Bruna Ribeiro - CRMRS 47796

 
 
 

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